Congregação Espírita Maria Benta – Breve Relato Histórico

12/Dez/2008

A fundação da Congregação Espírita Maria Benta foi resultado da crença numa visão de futuro inspirada pela mentora Maria Benta.

“Quando o homem acredita a obra se realiza”

Maria Benta de origem simples, de real nome desconhecido aceitou a missão no plano espiritual e de forma semelhante diversas pessoas encarnadas atenderam ao seu chamado: Dona Vanda, Sr. Isidoro, Sr. Álvaro e muitas outras pessoas.

A D. Vanda conheceu a mentora Maria Benta em tratamento de saúde que fez em um centro espírita e recebeu o convite para trabalhar com ela.
À partir das primeiras manifestações no bairro Bexiga definiu-se que surgiria uma casa de amparo social.
Quis Deus que ela surgisse dentro da orientação espírita e assim se deu.

Em 12 de dezembro de 1952 foi oficialmente fundada a Congregação Espírita Maria Benta ainda no seio de um lar na Rua Raiz da Serra – Jabaquara – São Paulo mas com projetos mais ambiciosos.
Em seguida transferiu-se para a Rua Santa Patrícia, a uma quadra do local inicial.

Na carência da população e dos recursos públicos a Congregação ofereceu suas instalações para instalação de um Posto de Saúde Público e ele funcionou suprindo necessidades durante aproximadamente 1,5 a 2 anos. O espaço era pequeno, as deficiências certamente grandes, mas o fundamental é saber que serviu a população amparando e sanando enfermidades.

O Posto de Saúde como órgão público foi transferido mas a atitude de amparo à população manteve-se. Orientações e consultas espirituais foram feitas com ajuda de médiuns da casa, entre eles a médium D. Vanda.
Maria Benta era a mentora da casa mas outros espíritos orientadores trabalhavam na casa. A médium D. Vanda, sob comando do espírito Iolanda fazia normalmente acompanhamentos pré-natal e partos.
Muitas crianças do bairro nasceram com a ajuda delas inclusive eu que nasci em minha casa à Rua Raiz da Serra. Minha mãe que gozava de boa saúde teve ao longo da gestação problema de pressão alta e foi tratada com orientação deste trabalho e o parto se deu sem qualquer complicação.

Quando perguntamos quem foi Maria Benta, a resposta em geral é imediata mas vaga: foi um espírito caridoso e trabalhador. Quando insistimos na pergunta, temos a informação de que foi um Preta Velha, expressão de uso comum no ambiente espírita da época e que já foi incorporado à cultura popular.

Preto(a) Velho(a) é uma pessoa de origem negra, de aparência e postura simples, expressões e linguagem próprios da raça negra brasileira do século 19 ou seja escrava, ausência de estudo, mas que pelas atitudes demonstra enorme amor e sabedoria.

Já existiu muita polêmica em relação a aceitação dos pretos velhos e índios como expressão superior da espiritualidade.
Nesta controvérsia em torno do Preto Velho alguns o idolatravam e outros o recusavam por mero orgulho.
Uma corrente do espiritismo os consideravam ignorantes e que deveriam sumir com a evolução e o esclarecimento. De certa forma isto aconteceu mas não deve ser entendido que eles eram ignorantes. Muito pelo contrário, devemos entender que a principal missão deles foi ajudar.
Até hoje espíritos que se apresentam como pretos velhos e índios se manifestam e trabalham conosco e são muito importantes.
Ao lado da pureza de coração do Preto Velho temos a força do Índio. Figuras polêmicas mas que podem e continuam dando ação e segurança à atividade espiritual cristã.
Cabe lembrar que um espírito evoluído pode escolher como se apresentar. Maria Benta foi negra e escrava em encarnação passada e assim escolheu se apresentar a nós.
Se Maria Benta era seu verdadeiro nome não sabemos, provavelmente não, mas é um nome inspirado: Maria representa a simplicidade e a força da mulher comum: e Benta significa aceita por Deus como boa, deixando de lado a imagem imaculada de santidade e permitindo fluir a força divina que habita dentro de cada um de nós.

Maria Benta conduziu diretamente os trabalhos da casa por um período curto aproximadamente 5 ou 6 anos. Foi um período curto mas de muita atividade em que a mentora cumpriu a sua promessa de educar os médiuns e organizar o trabalho. A despedida da mentora foi um momento importante e mereceu comemoração festiva. Ocorreu em aproximadamente 1955/1956.

A congregação Maria Benta cumpriu 2 funções básicas em decorrência das carências da época e da região: 1) Núcleo de assistência social, incluindo amparo material, tal como: alimentação e saúde física e espiritual: e 2) Divulgação espírita: único centro kardecista da região na época ajudou a expandir o estudo espírita.

O centro tinha muito relacionamento com outras casas e com a federação e recebia com frequência expositores destes locais. Cabe lembrar que na época não existia transporte público como existe hoje. As pessoas que possuíam automóvel eram poucas e o centro dependia de um ou poucos colaboradores para a tarefa de contatar e buscar expositores externos.

O centro Maria Benta foi criado em um momento histórico de expansão do espiritismo em que as manifestações físicas eram muito freqüentes e importantes no amparo as necessidades e no despertar das consciências e interesse das pessoas.
Para muitos o fenômeno físico foi a razão da crença na existência e no poder dos espíritos. Um exemplo foi vivido por meu pai que não freqüentava centro espírita. Minha mãe já freqüentava.
Meu pai feriu um dos olhos com resíduo de metal provocado por um equipamento chamado esmeril, ou seja, uma lixa elétrica. Tratou-se com médico durante muito tempo sem sucesso até que aceitou procurar ajuda espiritual. Foi ao centro e foi atendido pela médium D. Vanda que colocou um pano branco sobre seu olho ferido, deixou por alguns instantes e ao retirá-lo nele estava os fragmentos que até então incomodavam e causavam dor.
Meu pai curou-se e passou a trabalhar na casa espírita.
Outro atendimento de saúde interessante foi o decorrente de um acidente sofrido por meu irmão mais velho. Ele ainda criança pequena, brincando no quinta, colocou-se atrás de uma pessoa (de nome Edson) que estava abrindo um buraco no chão com uma picareta. Meu irmão foi atingido na cabeça pela picareta suja de terra. Houve atendimento médico, limpeza e curativo. Apesar disto houve infecção que foi tratada pela médium D. Vanda. Ela o tratava de forma inconsciente e limpava a ferida com a língua. O ferimento fechou, a infecção cessou mas a médium nunca aceitou de forma tranqüila a formado atendimento.
O terceiro atendimento na família foi o pré-natal e parto de minha mãe em minha gestação.
No intercâmbio com o plano espiritual muita coisa aconteceu. Por exemplo: Um homem internado em um sanatório no interior comunicou-se com meu pai através da médium sem que meu pai ou a médium o conhecessem. A existência da pessoa foi confirmada e identificada como sendo o noivo da irmã do esposo (Alcides) de uma prima de meu pai.
Outro fato interessante: a doença de uma irmã de minha mãe que morava no interior foi espontaneamente esclarecida por uma criança de aproximadamente 5 anos que descreveu que a pessoa doente havia tomado um líquido branco num copo dentro de um quartinho muito estreito. A explicação foi posteriormente confirmada. O quartinho estreito que ele mostrava com as mãos era um banheiro.
Esta criança era o filho mais velho de D. Vanda (Itamarati) que desde cedo e até os 7 anos demonstrou a mediunidade com muita naturalidade e freqüência.

O convívio com os espíritos desencarnados era normal e freqüente ao ponto de algumas crianças receberem o nome destes espíritos, tal como: o filho mais velho de D. Vanda (Itamarati) e o filho mais novo de minha mãe (Jotacir).

Foi um momento de abertura cultural mas ao mesmo tempo de difícil abandono dos hábitos e costumes: Um dos médiuns do centro foi o Padre Otávio que participava ativamente do centro mas nunca abandonou o sacerdócio católico.

A história do Centro Maria Benta tem 3 momentos distintos:
1) a criação em 1952 e a atividade até aproximadamente o ano de 1970;
2) o período de fechamento e as tentativas de reabertura; e
3) a reabertura pela equipe do Lar Benção Divina.

Houve muito trabalho e serviço do qual todos os seus trabalhadores podem e devem se orgulhar.

Nem tudo foram glórias. Houveram enganos também.
Cabe-nos aprender com glórias e os enganos do passado.
Os erros e os acertos são igualmente lições a nos ensinar.
Hoje falamos de nossas origens. Quando pudermos voltaremos ao assunto e conversaremos sobre as outras fases.

Conhecer e recordar o passado é importante para sabermos aonde estamos e o que é esperado de nós.
Importa saber que estamos ativos e atuantes e espero que dentro de nossa limitações possamos de alguma forma estar dando continuidade a este trabalho que começou a tanto tempo.

Jotacir Selim – 12/12/2008

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